Globos de Ouro, Netflix não brilha…

A cerimónia da 77.ª edição dos Globos de Ouro foi uma noite de duas narrativas. Por um lado, a Netflix não triunfou nem no cinema, deixando O Irlandês sem prémios e dando apenas música a Marriage Story, nem na televisão. Por outro, deixou o lembrete de que na temporada de prémios do cinema dos EUA não se devem esquecer os concorrentes que vêm de trás, como Joker e Era Uma Vez… em Hollywood, nem os que ainda estão a chegar como 1917, o épico de guerra de Sam Mendes. Conhecidos como uma festa e não uma previsão certeira para os Óscares, os Globos estiveram mais em sintonia com o outro sector da indústria — a televisão, premiando Succession e Chernobyl, da HBO, e Fleabag, da Amazon/BBC.

Numa cerimónia de um pouco mais de três horas, madrugada dentro e sem transmissão televisiva em Portugal, os Globos de Ouro foram apresentados por Ricky Gervais pela quinta vez. O seu monólogo foi previsivelmente ácido. “Se receberem um prémio não o usem como plataforma para um discurso político”, aconselhou às estrelas presentes. (…)

Seria apenas um dos momentos de dissonância da noite, que parecia fadada para finalmente coroar a Netflix como um estúdio entre as majors de Hollywood com as suas 34 nomeações — entre as quais seis para Marriage Story, de Noah Baumbach, o filme mais nomeado —, mas que, mesmo com a armada de veteranos de Martin Scorsese a postos, viu os prémios fugir-lhe por entre os dedos. A luta era evidente em todas as frentes, com a HBO a fincar pé na televisão com os sucessos populares e críticos que são Chernobyl, melhor série limitada (aquelas que têm apenas uma temporada e focadas num só tema), ou Succession, melhor drama, e a Amazon a roubar a glória do streaming com Fleabag.

Texto da Joana Amaral Cardoso, retirado da Revista Ípsilon (06/01/20)

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