04 de setembro de 2026
Hoje, em Polignano al Mare, vivemos um daqueles momentos que não estava planeado, mas que ficará na memória. Enquanto observávamos e fografávamos a maravilhosa paisagem marítima do Mar Adriático, vimos um senhor idoso, sentado num banco, virado para o mar. Este sorriu e perguntou, de forma divertida, se também lhe tirávamos uma fotografia (“fai una foto anche a me”). Aquela frase foi o mote para o início de uma conversa, inicialmente, com alguns entraves, por causa da língua, mas que depressa fluiu. Notava-se nele alguma solidão e a necessidade de que alguém o ouvisse.
O que começou por ser uma brincadeira transformou-se numa oportunidade de conhecer uma parte da sua história, ouvir as suas experiências e perceber um pouco melhor da pessoa que estava diante de nós.
Houve uma troca genuína: ele partilhou connosco as suas vivências e nós partilhámos também um pouco das nossas. Mais do que palavras, existiu curiosidade, atenção e vontade de conhecer o outro. A atenção que lhe demos e a empatia criada alegrou, com certeza, o dia daquele senhor solitário.
Aquele momento mostrou-nos que para existir empatia e inclusão não é necessário ter a mesma idade, a mesma origem ou as mesmas experiências.
Este encontro, para além da riqueza e da troca de saberes e culturas, fez-nos refletir sobre a importância de criar relações entre pessoas de gerações diferentes e de como é importante, numa Europa envelhecida, dar atenção aos mais velhos, principalmente aqueles que estão sós e com quem tanto podemos aprender.
No final, ficou uma aprendizagem simples: incluir também é saber parar, ouvir e dar espaço à história do outro. Porque uma sociedade mais inclusiva começa muitas vezes com a abertura para uma conversa inesperada, um pouco de empatia e vontade de conhecer quem está do outro lado.


