6 de setembro de 2026
Durante a visita a Bolonha entramos num pequeno café : “Portici academy- lá scuopa bolognese dicucina ” para fazer uma pausa e provar os produtos locais. Depois de pedirmos um café e uns tortelini doces, procuramos a casa de banho. Em vez das tradicionais placas “Homens” e “Mulheres”, encontramos apenas uma indicação simples de casa de banho com os dois símbolos. Naquele momento, paramos por alguns segundos, um detalhe aparentemente insignificante despertou a nossa curiosidade. Observamos que pessoas de diferentes idades, culturas e identidades utilizavam aquele espaço com total naturalidade. Não havia olhares de estranheza nem barreiras invisíveis. Havia apenas respeito, convivência e a consciência de que aquele espaço existia para servir todas as pessoas.
Foi então que percebemos que a inclusão nem sempre se manifesta através de grandes mudanças, muitas vezes, revela-se em pequenos gestos e escolhas que tornam a sociedade mais acolhedora. Uma casa de banho mista, concebida com condições adequadas de privacidade, segurança e acessibilidade, pode representar um compromisso com o princípio de que todas as pessoas merecem ser tratadas com igual dignidade e respeito.
A União Europeia assenta em valores fundamentais como dignidade humana, liberdade, igualdade, respeito pelos direitos humanos e não discriminação. Estes princípios desafiam-nos a construir comunidades onde cada pessoa possa participar plenamente na vida social, independentemente da sua identidade, origem, género, religião ou orientação. Naturalmente, a organização de espaços partilhados, como as casas de banho, pode suscitar diferentes opiniões e preocupações legítimas. O diálogo, a escuta ativa e o respeito pelas diversas perspetivas são igualmente valores europeus essenciais. A inclusão não significa ignorar diferenças; significa encontrar soluções que promovam o bem-estar coletivo, conciliando direitos, segurança, privacidade e respeito mútuo.
Esta experiência fez-nos compreender que ser cidadão europeu é também estar disponível para questionar hábitos, compreender novas realidades e contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva. A cidadania ativa começa quando somos capazes de olhar para a diversidade não como um obstáculo, mas como uma oportunidade para aprender, crescer e fortalecer a coesão social.
No final, percebemos que aquela porta sem distinções não era apenas a entrada para uma casa de banho. Era um símbolo discreto de uma Europa que procura construir espaços onde cada pessoa se sinta reconhecida, respeitada e pertencente. Porque a inclusão não acontece apenas nas grandes decisões políticas; começa nos pequenos gestos do dia a dia, capazes de transformar a forma como vivemos juntos.
Nesta cidade universitária podemos ainda conhecer o teatro anatómico e a biblioteca, espaços ricos de memórias, de histórias e de saberes que nos fizeram imaginar como seria a vida dos universitários no passado e de refletir no facto de que no passado o acesso ao saber e à cultura era, quase exclusivo às classes sociais mais altas, algo que, atualmente, felizmente, está esbatido. Hoje, todos temos a oportunidade de estudar e aprender numa Europa que é de todos e para todos e que a universidade é uma porta aberta para a inclusão.





